Publicado em 15 de outubro de 2025

A compreensão do TDAH (frequentemente avaliado na avaliação neuropsicológica) geralmente se concentra na desatenção, impulsividade e hiperatividade. No entanto, um aspecto central e frequentemente ignorado no diagnóstico clínico em adultos é a alteração da interocepção.
A interocepção é o nosso oitavo sentido. É a capacidade do sistema nervoso de perceber, interpretar e integrar os sinais internos do corpo, como fome, sede, temperatura, ritmo cardíaco e até mesmo a necessidade de ir ao banheiro ou de descansar. Em cérebros neurotípicos, esses sinais funcionam como um painel de controle eficiente. No TDAH, esse painel frequentemente apresenta falhas de leitura.
Indivíduos com TDAH relatam com frequência que esquecem de comer até que estejam tremendo de hipoglicemia, ou não percebem o cansaço extremo até que ocorra um colapso físico. A ciência explica isso: as redes neurais de repouso (Default Mode Network) e as redes de saliência, que filtram quais estímulos merecem nossa atenção, operam de maneira atípica. O cérebro está tão engajado no ambiente externo ou nos próprios pensamentos que o volume dos sinais internos do corpo é reduzido ao mínimo.
Isso afeta diretamente a regulação emocional. As emoções começam como sensações físicas, um aperto no peito, a respiração curta. Se o cérebro não registra esses sinais precocemente, a pessoa só percebe a ansiedade ou a raiva quando elas já transbordaram e se tornaram incontroláveis.
O tratamento moderno do TDAH precisa ir além de simplesmente otimizar o foco para o trabalho. Envolve treinar o cérebro para escutar o corpo novamente. Práticas de ancoragem sensorial e escaneamento corporal, quando adaptadas para mentes inquietas, ajudam a reconstruir essa ponte neural. Ao restabelecer a interocepção, o indivíduo não apenas evita a exaustão física, mas ganha um recurso valioso para regular suas emoções e tomar decisões mais saudáveis no dia a dia.
